Resenha: A política externa independente do apogeu do populismo (1961 – 1964)
Karina Stange Calandrin
O texto analisado para esta resenha foi escrito por Amado Luiz Cervo e Clodoaldo Bueno. Os autores são primeiramente um historiador brasileiro especializado em política externa brasileira; professor da Universidade de Brasília e do Instituto Rio Branco e o segundo também pesquisador da área de política externa brasileira e é professor da Universidade Estadual de São Paulo. O tema central do texto é a política externa brasileira de 31 de janeiro de 1961 a 31 de março de 1964, conhecida como a Política Externa Independente (PEI). A conclusão do texto é clara: a nova política externa brasileira deixava claro qual era o objetivo brasileiro, o desenvolvimento. Nenhuma barreira ideológica ou política deveria se colocar como barreira ao desenvolvimento do Brasil, sendo reflexo da política interna (muitas vezes conflituosa) do nacional-desenvolvimentismo nascida com Juscelino Kubistchek. O texto se divide em dezesseis partes: Caracterização, Jânio Quadros, Europa Oriental, URSS e China, Nações Afro-Asiáticas, O Contexto Hemisférico, Aliança para o Progresso, Reação Interna e Continuidade, João Goulart – Parlamentarismo, Brasil-Argentina, Aliança para o Progresso e Estados Unidos, A Questão Cubana, A Questão de Angola, O reestabelecimento de relações diplomáticas com a URSS, Conferência do Desarmamento em Genebra, A última etapa. A Política Externa Independente do Brasil pode ser entendida como uma tentativa de mundialização das relações brasileiras, uma tentativa de não se manter restrito às relações com as Américas e a Europa Ocidental com uma ênfase no fim da bissegmentação Leste-Oeste. Percebeu-se também uma popularização do assunto política externa pelas ruas brasileiras. Durante o governo de Jânio Quadros, este almejava uma aproximação com o sudoeste asiático e o extremo oriente, como China e Japão, além de uma reaproximação com a União Soviética cujas