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Texto: Copyright © 1985 by Carlos Drummond de Andrade
Ilustrações: Copyright © 1985 by Ziraldo Alves Pinto
Reprodução fotográfica e foto dos autores: Augusto Siqueira
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Impresso no Brasil ISBN 85-l-027102-X
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Carlos Drummond de Andrade
Ziraldo
História de dois amores
4ª. EDIÇÃO
A
pulga -
aliás, um pulgo — voava sem direção, à procura de um lugar tranqüilo onde
pousar e repousar. Ia cansado e não podia escolher muito. O primeiro lugar que aparecesse, ele topava. Aí passou um elefante enorme, o que não é novidade, pois toda gente sabe da enormidade dos elefantes. Passou e tocou de leve no pulgo, com a pontinha da tromba. Foi o bastante para ele se encarapitar na sua orelha direita e soltar um uf! de alívio, mas tão delicado que ninguém, mesmo de ouvido afiado, era capaz de escutar.
O elefante nem percebeu que levava um pulgo atrás da orelha. Ou, se percebeu, não deu a menor importância. Mesmo porque ele estava pensando num assunto de que iria tratar mais longe. O assunto era o seguinte: ia pedir a um colega que fizesse o favor de ocupar o seu posto de chefe dos elefantes da manada, enquanto ele tirava umas férias bem merecidas no Rio de Janeiro, a convite do
Clube dos Elefantes Cariocas, que lhe contara maravilhas sobre l praia de Ipanema e outros encantos da cidade.
O pulgo tinha o mau costume de se achar muito importante, mesmo que estivesse na pele de um bebê. Colocado naquela altura, pode-se imaginar como ficou ainda mais cheio de prosa. Achou mesmo que era um pulgo fora de série. E quando percebeu (as pulgas percebem depressa as coisas) que aquela orelhona era do próprio chefe dos elefantes, aí é que só faltou estourar de vaidade.