Sistemas Agrícolas
AGROBIODIVERSIDADE1
TRADICIONAIS
E
A
CONSERVAÇÃO
DE
Maria Christina de Mello Amorozo
Departamento de Ecologia – Instituto de Biociências – UNESP
Caixa Postal 199 – 13506-900 - Rio Claro - São Paulo mcma@unesp.br As relações de grupos humanos com o reino vegetal são complexas e podem ser consideradas a partir de várias perspectivas. Entre elas, a que é talvez a mais imediata e visível, refere-se à dependência, direta ou indireta, dos homens em relação às plantas para sobrevivência. Quando, através de atividades de manejo e cultivo, as plantas começam a sofrer modificações para atender a novas exigências ambientais e culturais, esta dependência acaba se tornando recíproca, isto é, a planta também depende do homem, tanto mais quanto mais se avança no processo de domesticação.
Quando se fala em “sistemas agrícolas tradicionais”, normalmente se está aludindo a sistemas de produção voltados principalmente para a subsistência do grupo de produtores, com utilização de insumos locais e tecnologia simples. São grupos de indivíduos ligados por laços de parentesco, tanto biológico como ritual, com um alto grau de conhecimento do ambiente onde vivem. As plantas cultivadas por comunidades deste gênero são elementos essenciais à sua continuidade, no modo como cumprem o papel primordial de fornecer a base da alimentação do grupo.
Agricultores tradicionais em geral têm estratégias para maximizar o uso dos recursos locais disponíveis. No que toca à atividade agrícola propriamente dita, vários espaços de cultivo articulam-se, e combinam-se com áreas de vegetação natural em diferentes estágios de sucessão ecológica, de modo que um mosaico de diferentes ambientes coexiste. Isto permite ao agricultor, não só manter os processos ecológicos que contribuem para a estabilização do sistema, mas também explorar diversos produtos e desenvolver atividades complementares, além de distribuir melhor a força de trabalho ao longo do