Roteiro para uma transformação lean, baseado em “a mina de ouro”
O nascimento das primeiras fábricas se confunde com a idéia de uma produção em larga escala. O advento de um lugar próprio para o trabalho, com mão de obra especializada em determinadas tarefas, em conjunto com investimento de capital possibilitaram o que se almejava como o ideal: produção em larga escala. Com um mercado mundial a ser explorado, a demanda era praticamente infinita se comparada à capacidade de produção disponível. As nações que eram tecnologicamente avançadas para empregar essa lógica de produção tiveram no séc. XVIII um grande desenvolvimento econômico. Logo, outra maneira de produzir nunca foi pensada como viável, visto que a vigente trazia sucesso outrora inimaginável. Até mesmo o socialismo, ainda que por definição seja um regime antagônico ao capitalismo, utilizou essa lógica de produção em suas repúblicas. Não importa se a fábrica era dirigida pelo burguês ou pelo estadista, produzir mais era o objetivo.
E assim se produziu até que outra conjuntura possibilitou a concepção de outras formas de criar valor em uma fábrica. Após a segunda guerra mundial, o Japão sofria diversos problemas econômicos: meios de produção destruídos por bombardeios, alta densidade demográfica, recursos naturais e econômicos escassos. Dentro desta realidade, era necessário que se conseguisse o melhor desempenho de um sistema produtivo, com desperdício mínimo de recursos e atendimento de uma demanda restrita. Esta é a diferença fundamental da lógica anterior, que chamamos agora de produção empurrada: A antiga forma de produção não se dedicava em diminuir desperdícios. Ora, se o sistema não produz o suficiente, bastava angariar mais capital com vendas, o que não era nada difícil com uma demanda virtualmente infinita. O reinvestimento em capacidade possibilitava o aumento de produção, assim o problema estaria resolvido. Porém, isto não era possível na realidade das fábricas nipônicas, e então, surgiu uma nova filosofia de produção, que hoje chamamos Lean.