Revolu O Tecnol Gica
A principal premissa do materialismo histórico de Karl Marx é a de que evoluções significativas das forças produtivas, ou seja, da capacidade de produção de uma determinada sociedade, provocam alterações nas relações de produção; essas entendidas como a forma pela qual os diversos componentes do processo produtivo se relacionam entre si. Tais alterações repercutem nos costumes e valores sociais e nas instituições jurídico-políticas.
Por mais que tal assertiva tenha se prestado a interpretações excessivamente "mecanicistas" não há como negar-lhe congruência histórica. Mesmo quando se considera que as instituições de natureza política, cultural e outras, possuem características próprias e desenvolvimento autônomo, suas interações com a macroeconomia continuam sendo fontes de conflitos e mudanças.
Ora, hoje se percebe uma expansão violenta de conhecimentos científicos e tecnológicos aplicados à produção, o que ocorre principalmente nos países de economia mais avançada. A biotecnologia, a informática e a robótica entre outras ciências, ao mesmo tempo que ampliam a capacidade produtiva, tornam-na menos dependente do esforço físico humano. Daí resultam alterações tão significativas nas relações de produção a ponto de configurar-se um processo revolucionário do modo de produção capitalista. Processo que pode resultar tanto em crises e mudanças radicais nesse modo de produção, e em seus ajustes institucionais, quanto no delineamento de um novo modo de produção.
De fato, a fábrica do futuro terá alguns técnicos e cientistas no lugar de centenas de operários. E produzirá muito mais. Por um lado isto fará a humanidade vislumbrar pela primeira vez em sua história a superação da maldição bíblica do trabalho. Por outro, acarretará desemprego em massa. Os conflitos deslocam-se da relação capital-trabalho e concentram-se, num primeiro momento, na questão de ficar dentro ou fora do processo produtivo. Logo perceber-se-á a inutilidade dessa demanda. O