Respostas da sociedade civil à globalização
Não há escravidão maior do que aquela que nos priva da possibilidade de pensar, criar, ousar com liberdade. Não há dominação maior do que a sujeição a um modo de ver e conhecer que se impõe de forma incontestável. Nada mais trágico do que se mover por visões, desejos e justificativas que se nos apresentam como inevitáveis.
A globalização, mais do que um processo na história da humanidade, parece ser e atuar como uma prisão de mentes e corações, de pensamentos e movimentos. A forma dominante de globalização nos aparece como o único caminho, como se nada pudesse se opor a ela. Dizem-nos que quem não se adapta a tal fatalidade, morre. Ao menos, tende a nos ser transmitida assim a idéia da globalização por governos, homens de negócios e finanças, seus ideólogos.
Precisamos nos rebelar contra este modo de ver. A cidadania planetária exige tal rebeldia no pensar e agir. A primeira resposta à globalização deve ser o reconhecimento de que ela é uma produção nossa, de seres humanos. Não é um monstro a nos dominar, mas invenção que brota de nós mesmos, cheia de limites e possibilidades como é nossa própria condição de vida.
Precisamos pensar diferentemente a globalização, pensar alternativas de globalização. Para isto de pouca utilidade é o pensamento convencional, a forma de pensar hoje hegemônica ditada pelo neoliberalismo, pelo consenso do "livre mercado". Como cidadãs e cidadãos do planeta terra, comprometidos com a democracia, convido-os a construir a nossa própria agenda de pensar, o nosso modo de ver as questões e tarefas, as nossas prioridades. Não podemos ignorar outros modos de ver e suas propostas, mas não nos limitemos a eles. Enfrentemo-los!
1. As várias globalizações e as várias respostas
As formas dominantes de globalização são movidas pela mais desenfreada busca de maximização dos lucros. Abrir as fronteiras, reduzir o Estado e privatizar, desregulamentar, ser eficiente e competitivo,