Cultura religiosa
1 – Ao contrário dos animais e outras coisas do mundo, o ser humano vive em constante mudança, inventando e criando sempre novos mundos, novas ideias, novas culturas. Os animais vivem de seus princípios e nada mais, de uma sabedoria e experiência que habitam seus corpos, ao longo dos tempos sem alterações, inovações e mudanças em seu mundo. “O animal faz com que a natureza se adapte ao seu corpo”. Enquanto isso, o homem se recusa a ser o que é, a ser o que o passado lhe propunha. Completamente diferente dos animais ele tem esta necessidade de mudar e criar.
2- Em oposição ao mundo animal, onde o imperativo da sobrevivência reina supremo, nos mundos em que os homens imaginam e constroem o corpo já não tem a ultima palavra. O homem é capaz de cometer suicídio, ou de entregar seu corpo a morte, desde que dela outro mundo venha a nascer.
3 – “O corpo foi transformado de entidade da natureza em criação da cultura”. O corpo já não responde naturalmente, tudo ocorre de acordo com a cultura, costumes, de acordo com o mundo em que o homem criou para ele. Os impulsos sexuais, gostos alimentares, a sensibilidade olfativa, ritmo biológico, dependem exclusivamente da cultura do ser humano, já não são mais expressões naturais do corpo.
4 – Os animais sobrevivem pela adaptação física ao mundo, os homens ao contrario, parecem ser constitucionalmente desadaptados ao mundo, tal como ele lhes é dado. Nossa tradição filosófica fez seus mais sérios esforços para demonstrar que o homem é um ser racional, ser de pensamento. Mas as produções culturais que saem de suas mãos sugerem, ao contrário, que o homem é um ser de