Contabilidade e governança corporativa
Autoria: Laise Ferraz Correia, Hudson Fernandes Amaral, Pascal Louvet
RESUMO O objetivo deste artigo consistiu em construir um índice de governança de empresas brasileiras. Esse índice foi composto pelos critérios de eficiência de um conjunto de mecanismos de redução dos problemas de agência. Ele foi, em seguida, validado, em uma amostra de empresas com ações negociadas na Bovespa entre 1997 e 2006. Para desenvolvê-lo, fundamentou-se no arcabouço da teoria da agência, segundo o qual uma governança de qualidade consiste em assegurar aos fornecedores de capital a recuperação do seu investimento. Conseqüentemente, o índice de governança compreende instrumentos de controle e de alinhamento dos interesses de investidores internos e externos à empresa propostos por essa teoria. As cinco dimensões de governança consideradas são: a composição do “Conselho de Administração”, a “estrutura de propriedade e de controle”, as modalidades de “incentivos aos administradores”, a “proteção dos acionistas minoritários” e a “transparência das informações publicadas”. Obteve-se o índice de governança, mediante a técnica de componentes principais, o que consistiu em calcular a média ponderada de todos os componentes gerados, sendo as ponderações representadas pelas suas respectivas variâncias. A análise do comportamento desse índice revelou uma tendência efetiva de incremento na qualidade da governança das empresas brasileiras ao longo do período estudado. Em termos de validação, o índice de governança foi confrontado com vários indicadores que refletem a confiança dos investidores financeiros quanto à boa governança dos seus recursos pelas empresas. Assim, a liquidez, a cotação e o valor de mercado das ações aumentam significativamente entre os quintis formados em função da progressão do índice, ou seja, esses indicadores de confiança dos investidores são mais elevados à medida que a empresa