O termo Vulnerabilidade
A vulnerabilidade se apresenta como perspectiva de renovação das práticas de cuidado para além do risco de adoecer, especialmente na promoção da saúde, constituindo-se em importante referencial para a construção de intervenções intersetoriais dinâmicas e aplicáveis (AYRES et al., p. 117-40, 2003).
Tem como propósito a busca da “ síntese ”, ou seja , trazer os elementos abstratos associados e associáveis aos processos de adoecimentos para planos de elaboração teórica mais concreta e particularizada, onde os nexos e mediações entre esses processos sejam o objeto de conhecimento. Assim ela expressa os potenciais de adoecimento, de não adoecimento e de enfrentamento, relacionados a todo e cada indivíduo (BERTOLOZZI et al, p. 1326 - 30, 2009).
Neste sentido, é possível visualiza-la como o produto da interação entre características do indivíduo - cognição, afeto, psiquismo, estruturas sociais de desigualdade, gênero, classe e raça - determinando acessos, oportunidades e produzindo sentidos para o sujeito sobre ele mesmo e o mundo. Uma pessoa pode tornar-se menos vulnerável se for capaz de reinterpretar criticamente mensagens sociais que a colocam em situações de desvantagem ou desproteção, mas a sua vulnerabilidade pode aumentar se a mesma não tem oportunidades de ressignificar as mensagens emitidas no seu entorno (AYRES et al., p. 117-40, 2003).
Contudo, conforme Nichiata (2008) a Vulnerabilidade pode ser definida como um processo dinâmico estabelecido pela interação dos elementos que a compõe, tais como idade, raça, etnia, pobreza, escolaridade, suporte social e presença de agravos à saúde. Nesta perspectiva, a exposição a agravos de saúde e mesmo acometimento que leva a morte resulta tanto de aspectos individuais como de contextos ou condições coletivas que produzem maior suscetibilidade aos agravos e morte em questão e, simultaneamente, a possibilidade e os recursos para o seu enfrentamento (BERTOLOZZI et al,