O que os economistas pensam sobre a sustentabilidade- sérgio besserman
SERGIO BESSERMAN VIANNA
A relação entre a China e os EUA, tanto do ponto de vista econômico quando na questão ambiental tem que encontrar uma equação útil a ambos. Caso contrário, o movimento de travar as negociações aferrando-se a questões nacionais repercutirá sobre o resto, inviabilizando um acordo.
O mundo tem sofrido mudanças no peso relativo das grandes economias e a geopolítica está se adequando, depois da Guerra Fria, a uma multipolaridade que vislumbra lá na frente, uma bipolaridade entre EUA e china, desconhece o quanto a União Européia poderá se qualificar como ator unificado num processo desses.Só que desta vez, o desafio é diferente. Se agente atrasa a rodada de doha, a consequência é um atraso de ter, quatro, cinco anos na liberalização do comércio mundial, mas a mudança climática ignora as dificuldades da agenda política das nações ou da humanidade. Ela continuará cobrando seu preço cada vez mais acentuadamente, ano após ano. Então não temos o tempo necessário para enfrenta-la. A continuidade das economias emissoras de gases de efeito estufa nos próximos anos implica num tal estoque de gases na atmosfera que, ali na frente, o movimento de descarbonização terá de ser tão acentuado e dramático que seus custos poderão ser muitas vezes superiores aos custos de uma ação que se iniciasse de forma planejada hoje.
O maior problema do fracasso de Copenhague não é não ter havido um acordo legalmente vinculante, mas o fato de a ausência de atitude firme manter uma incerteza pairando sobre a precificação do carbono, que inibe os investimentos que precisamos. Isso atrasa no momento em que precisávamos acelerar. Por outro lado, o caminho para a economia de baixo teor de carbono e descarbonização será provavelmente a transformação tecnológica mais acelerada de toda a história da humanidade.
O modo atual de produzir e de consumir é insustentável. A desigualdade relativa aos direitos de emissão de