O Mal No Pensamento De Hannah Arendt
Resumo
Este artigo tem a finalidade de apresentar e desenvolver o tema do mal no pensamento de Hannah Arendt a partir da compreensão das obras Origens do Totalitarismo e Eichmann em Jerusalém, sendo a primeira uma analise sobre o mal radical, enquanto que a segunda trata da banalidade do mal.
Palavras-Chaves: Banalidade do mal, Mal radical, Totalitarismo
Introdução
Este artigo se propõe a compreender a concepção de mal no pensamento de Hannah Arendt partindo de duas leituras específicas: a primeira por meio da noção de mal radical presente no fenômeno político identificado como totalitarismo, que se configurou nos regimes nazista e stalinista; e a segunda sobre o conceito de banalidade do mal cunhado pela filósofa através de sua analise do julgamento do funcionário nazista Adolf Eichmann. Num primeiro momento faremos uma abordagem breve sobre o livro Origens do Totalitarismo, estudando a natureza do totalitarismo nos regimes políticos governados por Hitler e Stalin. Nesta primeira reflexão estudaremos o contexto, a natureza e as peculiaridades da noção de mal radical. Já no segundo momento do artigo investigaremos a concepção de banalidade do mal presente na obra Eichmann em Jerusalém. Nesta obra veremos que a ideia de mal possui uma compreensão diferente de sua formulação inicial em Origens do Totalitarismo, embora o tema do mal não se desvincule do fenômeno do totalitarismo. Em Origens do Totalitarismo, veremos como o terror se materializa por meio da ideologia, numa prática política que enxerga seres humanos como supérfluos diante de uma maquina burocrática estatal mantida através do terror, o mal radical. Já em Eichmann em Jerusalém, veremos como o mal não será mais visto com radicalidade, mas antes como um fenômeno que se inaugura através da ausência de pensamento, já que para Hannah Arendt o mal em Eichmann não possui aspectos perversos ou diabólicos, mas sim uma sistemática