O enigma da Religiao - Analise Crítica
Religião e anomia social:
Logo nos primeiros parágrafos do capítulo inicial intitulado “Do Paraíso ao deserto”, o autor põe-se a relatar sua experiência pessoal de anomia social, evidenciada no sofrimento causado pela mudança do mundo ideal (sua pequena cidade interiorana) para o mundo novo e hostil ao qual, com sofrimento, é forçado a se adaptar e permanecer (a cidade grande). Tal exemplo de anomia (tema bastante explorado pelo Sociólogo Durkheim, diga-se de passagem) ilustra, ao meu ver, com considerável eficiência e clareza, a situação do ser humano inserido num mundo social hostil a cujo qual não deveria pertencer, e que justamente por esta causa almeja de forma nostálgica uma reconciliação com o mundo perfeito, belo e justo - “utópico”.
É justamente pelo motivo de estranheza e inquietude de sentir-se um “peixe fora d’agua”, creio eu, que se dá em nossa consciência os primeiros vestígios “embrionários” da religião. Enquanto que na nostalgia e ânsia de reconciliação com o que é belo e justo, e nosso retorno a tal “Terra Prometida” encontramos a causa e o porquê da prática religiosa. Sendo assim, a religião só se dará num terreno que nos seja estrangeiro e hostil, visto que ela é quem nos oferece a esperança e felicidade que compensa as frustrações e sofrimentos contidos na realidade atual. Pois como afirma Rubem Alves no primeiro parágrafo do capítulo já citado acima: “Tanto no Paraíso quanto na Cidade Santa não há templos. No Paraíso a religião não é necessária, e na Cidade Santa ela deixou de ser necessária. A religião é a memória de uma realidade perdida e a nostalgia por um futuro de reconciliação.”
2. O fundamentalismo e a linguagem.
“O mais importante não é o que o fundamentalista diz, mas como ele diz” - afirma o autor. Um fundamentalista na opinião proposta caracteriza-se não pelas ideias que afirma, mas pela forma como ele afirma. O problema do fundamentalista, ao meu ver, dá-se não na intenção de