O calcanhar metodológico da ciência política no brasil
O artigo consiste uma apreciação teórica sobre os fundamentos propriamente metodológicos (e não apenas procedimentais) dos chamados „métodos quantitativos‟ na pesquisa em ciências sociais, os quais são frequentemente --mas equivocadamentereduzidos à ideia de „técnicas de quantificação‟. O artigo apresenta e discute a dependência que a escolha do método tem em relação ao tipo de problema de pesquisa que formulamos bem como com as hipóteses; a lógica subjacente à chamada
„metodologia quantitativa‟. Além disso o artigo traz algumas considerações sobre o uso dos métodos quantitativos nas Ciências Sociais no Brasil.
Introdução
Este artigo visa demonstrar que, na prática, o uso dos métodos quantitativos ou qualitativos depende diretamente do problema de pesquisa. Reconhece-se, explicitamente, que as técnicas de captação, e especialmente de 'construção dos dados' e das interpretações presentes nos diferentes métodos (quantitativos e qualitativos), são eminentemente diferentes, derivadas como são, de objetivos imediatos igualmente diferentes. O artigo está dividido em quatro sessões na primeira discorremos sobre a lógica que está por trás do uso dos métodos quantitativos, trazendo a tona aspectos mais epistemológicos ligados à formulação do problema de pesquisa sociológico. A segunda sessão trata das circunstâncias em que o uso dos métodos quantitativos se faz necessário. A terceira sessão apresenta uma descrição do estado da arte do uso dos métodos quantitativos na pesquisa sociológicas, e das ciências sociais em geral, no
Brasil. Por fim, na última sessão são apresentadas as considerações finais e apontamentos para uma reflexão sobre a presença necessária do referencial teórico na construção de problemas científicos que exigem o uso de métodos quantitativos.
Finalmente, consideramos que o artigo possa contribuir para desmistificar a ideia de que a distinção „quali-quanti‟ representa uma antinomia metodológica,