A razao economica
Metamorfoses do trabalho: crítica à razão econômica
Débora Dourado *
GORZ, André. Metamorfoses do trabalho. São Paulo: Annablume, 2003.
ISBN: 85-7419-364-X
As transformações ocorridas no trabalho ao longo da história da humanidade e a conseqüente “economicização” do mundo são os temas centrais da obra de André Gorz. O texto é constituído da evolução histórica do trabalho, consubstanciando sua análise na censura à razão econômica no mundo moderno. Construído a partir de uma análise crítica fundamentada teoricamente em pensadores-chave (para citar alguns, Marx, Arendt, Habermas e Weber), o texto apresenta sólidos argumentos e proporciona leitura instigante.
O livro está estruturado em três capítulos: Metamorfoses do trabalho, Uma crítica da razão econômica e
Orientações e propostas, seguidos de uma seção anexa voltada para propostas e orientações práticas.
No primeiro capítulo, o autor apresenta uma evolução histórica do trabalho, desde a antiguidade, passando pelos moldes manufatureiros, até o formato contemporâneo, cujos efeitos da racionalidade econômica no homem tomam dimensões mais profundas e aniquiladoras. Gorz explora a visão de Marx sobre o trabalho, classificando como utópicos os anseios do comunismo pela comunhão entre a razão e a vida.
Ao abordar a cisão entre trabalho e vida, o autor de Metamorfoses do trabalho explica os efeitos da “esfera da heteronomia” como uma ordem maior e hegemônica na determinação de aspectos que não lhes são próprios.
Em seguida, Gorz aborda a desintegração social como contrapartida da cisão funcional no trabalho, trata do fim do humanismo no trabalho − como reversão de todos os valores da vida sobrepujados pela lógica econômica − e as pseudo-ressurreições do humanismo, vistas como sofisticações do sistema obtidas por meio de mecanismos reificadores.
O segundo capítulo promove forte crítica à razão econômica, começando pela abordagem das mudanças de valores pelas quais a humanidade passa atualmente.