A Psicologia Institucional e a Atuação do Psicólogo
A nossa vida cotidiana é demarcada pela vida em grupo. Estamos o tempo todo nos relacionando com outras pessoas. Mesmo quando ficamos sozinhos, a referência de nossos devaneios são os outros: pensamos em nossos amigos, na próxima atividade - que pode ser assistir a aula de inglês ou realizar nova tarefa no trabalho (que, provavelmente, envolverá mais de uma pessoa); pensamos no nosso namoro, em nossa família. Raramente encontraremos uma pessoa que viva completamente isolada, mesmo o mais asceta dos eremitas levará, para o exílio voluntário, suas lembranças, seu conhecimento, sua cultura. Por encontrarmos determinantes sociais em qualquer circunstância humana¹, podemos afirmar que toda Psicologia é, no fundo, uma Psicologia Social.
Talvez seja por isso que nossas vidas encontram sempre uma certa regularidade, que é necessária para a vida em grupo.
As pessoas precisam combinar algumas regras para viverem juntas. Se estiver num ponto de ônibus às sete horas da manhã, eu preciso ter alguma certeza de que o transporte aguardado passará por ali mais ou menos neste horário. Alguém combinou isso com o motorista. Dependemos do outro em nosso cotidiano. Um funcionário precisou abrir o portão da escola, cujas dependências já estavam devidamente limpas; um professor nos espera; ao chegar à escola, encontro colegas que também têm aulas no mesmo horário. A esse tipo de regularidade normatizada pela vida em grupo, chamamos de institucionalização.
Dada a importância da vida dos grupos (e em grupo) e do processo de institucionalização, estes dois temas têm se destacado ultimamente no campo da
Psicologia Social.
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¹ Silvia Lane é a autora contemporânea da Psicologia Social que melhor fundamentou esta afirmação
(in Lane, S. T. M. & Codo, W. Psicologia Social: o homem em movimento. São Paulo, Ed. Brasiliense,
1982), contudo, Sigmund Freud, em 1921, já afirmava que “na vida