A modificação gradativa do modelo familiar na cultura pós-moderna
O filósofo britânico Bertrand Russell expõe em seu livro “O Casamento e a Moral” uma profunda análise a respeito das relações humanas em seu âmbito sexual e amoroso, e como as regras morais são incorporadas através das gerações.
Segundo o autor, o propósito do casamento teve modificações significativas introduzidas pelo cristianismo – por S. Paulo, mais especificamente – ao passo que, mesmo existente em época anterior, passou a ser visto como uma Instituição que “existe não primariamente para a procriação, mas para evitar o pecado da fornicação” (pg. 35). O Apóstolo, dedicado a pregar o ascetismo como prática ideal entre os fiéis, viu no casamento uma possibilidade de controlar indiretamente os instintos primitivos do ser humano, pregando a existência de “pecados carnais” que aproximavam o homem da eternidade no inferno. Com o tempo, a ideia consolidou-se e foi além. Surgiu a convicção de que “a relação sexual só é legítima dentro do matrimônio e, além disso, passa a ser pecado, mesmo dentro dele, se não houver esperança de provocar gravidez” (pg. 41). A intenção indiretamente ascética cristã perdurou por séculos, ganhando modificações pontuais entre os períodos da história.
O sociólogo Finlandês Edvard Westermarck observa em seu livro “História do Casamento Humano” que “O casamento tem raízes na família mais do que a família tem raízes no casamento.” Esta convicção ganha embasamento quando disposta à perspectiva pós-moderna das Instituições Naturais. Para tanto, faz-se necessária uma organização cronológica das significações carregadas por tais Instituições; o que tem início precisamente na convicção católica dos preceitos anti-carnais engendrados no casamento. É importante notar a mudança nos valores da sociedade a partir da Modernidade, mais precisamente à cada vez mais aparente tentativa de libertação feminina no campo da moral sexual. “No passado, os motivos da virtude