A MATRIZ ROMANA
RESUMO.
Depois da expulsão dos reis começa para os romanos o regime “libertas” e que a historia assumiu como República, o período compreendido entre a expulsão de Tarquínio (509 a.C.), e a inauguração do principado de Augusto (30 ou mesmo 27 a.C.).
Já a reflexão política se inscreve em um campo bem mais restrito. Seus pilares nos são dados por Políbio e Cícero. Cícero é, sem dúvida o autor fundamental; nos legou as obras maiores, a de Políbio, que testemunha e pensa a República tomada em seu ápice, e a de Cícero, que reflete sobre ela no seu ocaso. Essas obras não nos chegaram íntegras: da Historia de Políbio conhecemos os cinco primeiros livros, e as de Cícero, o De República só foi recuperado em 1820, num manuscrito. Contudo, ater-nos-emos aqui a Políbio para observarmos as matrizes desse republicanismo.
Devemos recordar que a ascensão da República Romana, e mesmo toda a sua vida, ocorreu num ambiente de ampla hegemonia da cultura grega, pois os romanos alegam constantemente sua experiência e tradição de suas instituições em oposição às especulações e teorias gregas. O que importa aqui é assentar que a Roma republicana, sua história, instituições e valores foram pensados, ou representados, com conceitos, categorias e instrumentos analíticos gregos. Políbio nos oferece o ponto de intersecção desses dois mundos.
O HISTORIADOR POLÍBIO
Originário de Megalópolis (Peloponeso) Políbio chega à italia em 167 a.C. entre os aqueus condenados a 17 anos de exílio de seu país, por suspeição de deslealdade a Roma. Não era antirromano e com a vitória dos romanos Políbio alia-se a eles e é encarregado da embaixada que vai à Tessália oferecer ao cônsul o apoio militar dos aqueus. Em Roma, tornara-se protegido da família do cônsul Paulo Emilio (pai do Públio Cipião Emiliano). Políbio assiste, portanto, como testemunha ocular aos três (se aí incluirmos a Terceira Guerra Macedônica e a vitória