a igreja católica no seculo XX1
A igreja Católica Apostólica Romana atravessa um dos muitos momentos terríveis de sua tormentosa existência. Acossada pelo escândalo, tanto pelos papéis que um mordomo infiel entregou à imprensa italiana revelando corrupção no Vaticano, insídias de poder, manobras financeiras, como pelas denúncias de perversão sexual de seus sacerdotes, a Igreja precisava uma forte purga para lavar seu interior e encarar um novo processo. Para dizê-lo com suavidade, a Igreja Católica precisa mudanças para recuperar sua credibilidade e, quiçá, aproximar seus tempos aos tempos do mundo.
Isto é a mudança, é claro que não podia ser encarada com uma imagem desgastada, como a do alemão Bento XVI.
Agora que o terreno está limpo, os guardiões da fé vão dirimir um velho dilema, adiado em 2005, e decidir dentre suas afiadas espadas a mais adequada ao atual balanço de poder interno. Não necessariamente a que os tempos requerem.
Uma vez aceita a necessidade de uma mudança, não há tanta certeza quanto ao signo que as mudanças requerem. Há quem pense que o poder da Igreja vem de sua teimosia, de sua fixação a dogmas imutáveis, de sua firmeza para não mudar nem se adaptar e, consequentemente, confiam em um conservador para exercer de tal. Porque Bento o era, mas prevaleceu sua estreiteza sobre sua suposta firmeza dogmática.
Os que querem mudanças também não às querem para aceitar o aborto, a homossexualidade ou a inclusão de mulheres no rito (muito menos na hierarquia), mas sim estariam dispostos a abrir uma discussão sobre o celibato. A possibilidade de que os sacerdotes possam contrair matrimônio tranquilizaria os fiéis quanto à pedofilia (se diz que vestir a batina apaziguou os homens com ciúmes da fé de suas mulheres). Não seria uma mudança substancial, mas é possível, trata-se só de modificar uma decisão de outro Papa, Calixto II, no Concílio de Latrão, em 1123. Ali se promulgou o celibato como requisito para todo o clero do rito romano. Mas, tem