A gestão do Fenômeno Collor
- Vitória do ex-presidente Fernando Collor, em 1989, revelou o poder da imprensa brasileira de criar um mito e elegê-lo (era tratado como o salvador da pátria)
- O então governador do estado de Alagoas usou toda a sua experiência de homem da comunicação, dono de empresas de mídia, para construir a imagem de um candidato que refletisse os anseios do povo.
- O fracasso dos planos econômicos do governo Sarney, após 20 anos de ditadura militar, criou um ambiente propício ao surgimento de novos nomes no quadro eleitoral. Pesquisas de opinião, encomendadas por Collor, revelaram um desapontamento generalizado dos brasileiros com a classe política. Pioneiro na utilização desses dados para fins de campanha, Collor preparou seu discurso alinhado com os anseios da imprensa e do povo (Collor falava o que o povo queria ouvir)
- A responsabilidade da imprensa na eleição de Collor ainda é motivo de debate entre estudiosos. O sociólogo Fernando Lattman-Weltman, em seu livro A imprensa faz e desfaz um presidente, considera decisiva a atuação da mídia na cobertura da campanha eleitoral de 1989. “‘Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei.’ Assim, enquanto os programas (ou a falta de) de Lula e Brizola eram submetidos às mais duras análises, o que seria perfeitamente razoável, o chão de onde brotava o discurso de Collor era examinado de modo menos que superficial”.
- Lattman-Weltman defende a tese de que não houve uma conspiração da grande imprensa a favor de Collor. O que ocorreu, para este autor, foi um casamento de interesses, na medida em que o ex-governador de Alagoas encarnou o personagem que a imprensa havia construído.
- Fenômeno Collor: caçador de marajás? A miopia da imprensa brasileira nas eleições de 1989 ainda é motivo de controvérsia entre estudiosos É tudo mentira! Collor: um marketeiro no Planalto maior nos grandes centros urbanos, o que não acontece no interior. “Cerca de 44% do eleitorado brasileiro se encontra em municípios de até 50