A ABOBADA
17 de janeiro de 2007 por Feranet21
É neste conto, A Abóbada, de Alexandre Herculano, publicado em O Panorama em 1839, que encontramos prova inequívoca do amor do autor pela pátria. Assim, o inflamado discurso do mestre Afonso Domingues, reclamando para um Português a construção do mosteiro da Batalha e condenando que tal empresa seja confiada a mestre Ouguet cuja alma "não é aquecida à luz do amor pela pátria".
O conto foi inspirado em Afonso Domingues, mestre arquiteto. A abóbada do Mosteiro da Batalha é o centro deste conto. Afonso Domingues, que se desdobrou para colocar D. João I no trono, estava construindo um mosteiro e no projeto fez uma abóbada incrível.
Mas em 1.401 ele ficou cego e o rei, D. João I, direcionado por seus conselheiros, resolveu chamar um arquiteto irlandês, mestre Ouguet, para concluir o projeto do mosteiro. Ele alterou o projeto da abóbada e, logo depois da obra terminada, a abóbada desaba sobre ele enquanto estava tendo um ataque.
D. João I, então, chama Afonso, restitui-lhe o emprego e este o aceita após muitas desculpas da parte do rei. Ele então passa três dias em jejum debaixo da abóbada e morre quando conclui que a abóbada tal como a projetou não cairá. Ouguet, que desdenhava de Afonso pois estava velho e cego, torna-se seu admirador.
O que transparece nesse conto é principalmente o nacionalismo de Herculano: o português honrado e que fora guerreiro estava certo, e o estrangeiro arrogante (bretão) estava errado e arrepende-se humildemente no final.
As obras de Alexandre Herculano são de cunho romântico e vão desde a poesia ao drama e ao romance. Foi, além de um dos mais importantes escritores portugueses do século XIX, o renovador do estudo da história de Portugal.
Obra na íntegra I – O CEGO
O dia 6 de Janeiro do ano da Redenção 1401 tinha amanhecido puro e sem nuvens. Os campos, cobertos aqui de relva, acolá de searas, que cresciam a olhos vistos com o calor benéfico do Sol,