Virtude Em Arist Teles
Aristóteles, em Ética a Nicômaco, II, 6, diz que a virtude é a disposição adquirida voluntária, em relação a nós, na medida, definida pela razão em conformidade com a conduta de um homem ponderado. Ela ocupa a média entre duas extremidades lastimáveis, uma por excesso, a outra por falta. Enfatiza, também, que, embora consista numa média, em relação ao bem e à perfeição ela se situa no ponto mais elevado. Para entender corretamente o texto filosófico, devemos localizar os termos mais importantes, e suas noções. Assim, virtude (arétè) designa toda excelência própria de uma coisa, em todas as ordens de realidade e em todos os domínios. Aristóteles a emprega assim, embora lhe acrescente o valor moral. Como, pois, entender que virtude é média e ápice? Aristóteles parte de um conceito geral e delimita-o depois. Diz, primeiramente, que a virtude é agir de forma deliberada; depois, fala em agir em prol do mais alto bem. Ao falar dela como héxis, enfatiza uma capacidade adquirida, constante e duradoura, o que elimina a pretensa qualidade inata. Assim, ao se comportar moralmente, o homem deve também se comportar racionalmente, ou seja, uma razão que já passou pela prova dos fatos; a mediedade, diz ele, é a que o homem prudente determinaria. E determinaria em função dos homens superiores a ele. Por isso é oportuno aconselhá-los a imitarem os melhores.
A virtude não é média, ela é a média justa. Saímos do âmbito quantitativo onde tudo é colocado no mesmo plano e passemos ao âmbito qualitativo. Observe que tanto nas paixões como nas ações, há condutas que estão abaixo ou acima do que convém. A virtude não é assim uma média aritmética dos excessos para mais ou para menos, ela é o vértice de eminência, ou seja, é ela quem diz qual é o vício para cima ou para baixo. O óbolo da viúva, de que nos lembra o Evangelho, vem a calhar: a viúva que deu apenas uma moeda, deu mais do que o rico, pois enquanto este deu o que lhe sobrava, para ela a quantia