Um breve histórico sobre a mulher
Por: Marta de Oliveira Silva
Um breve histórico sobre as mulheres do fim do século XIX e inicio do XX
A Cidade do Rio de Janeiro foi submetida a inúmeras transformações políticas, econômicas e urbanas no fim do século XIX e início do século XX. Dentre as mudanças está o fim da escravidão em 1888, que alterou as relações de trabalho que vigoraram no país por mais de 300 anos. Tornou-se extremamente necessário disciplinar as massas para as novas formas de trabalho.
A instauração da República em 1889 não mudou a conjuntura política das camadas populares, que continuaram sem direito a efetiva participação na vida pública. E mesmo o voto excluía a maior parte da população, inclusive as mulheres. A onda de reformas urbanas implementadas pelo Prefeito Pereira Passos, com o objetivo de tornar a cidade parecida com as cidades européias, deixaram a população das proximidades do Porto do Rio sem ter onde morar, já que muitos casebres e casas de cômodos foram demolidos para o alargamento das ruas, dificultando ainda mais a vida dos populares.
Neste contexto um tanto conturbado, as mulheres das classes populares são atingidas sobremaneira porque são obrigadas a morar longe de seus locais de trabalho, ou da família, já que a onda reformadora empurrou os pobres para as periferias e cortiços, que o escritor Lima Barreto afirma:
“... que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias em outros pontos do Rio de Janeiro”. (2006, p.83)
Em meio aos deveres dos quais a classe feminina popular era submetida, a moralização dos costumes é mais um dos obstáculos enfrentados, pois pensados a partir da elite, transformava a rua em um espaço proibido, “... “esqueci-a se” de que se incluía dentre as condições de sobrevivência da mulher pobre o fato inconteste de a rua ser também seu local de trabalho” (Marta de Abreu Esteves, 1989,