trabalho de filosofia
Foi nessa fase áurea do tropicalismo que Gil criou “Cérebro Eletrônico”, uma linda crônica sobre a diferença entre máquinas (os recém criados computadores) e humanos. Segundo Gil, o “Cérebro Eletrônico” manda e desmanda, é ele quem manda, mas ele não anda. Somos dependentes de computadores, mas somos nós com nossos botões de carne e osso, que ficamos tristes, choramos e podemos pensar se Deus existe. Não precisamos da ajuda de nenhum computador para decidirmos se vivemos ou morremos, porque com seus botões de ferro e olhos de vidro, ele não pode nos dar socorro em nosso caminho inevitável para a morte. E aliás, apesar de fazer tudo, quer dizer quase tudo,... Ele é mudo.
GELÉIA GERAL
Gilberto Gil e Torquato Neto
Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia
Resplandente, cadente, fagueira num calor girassol com alegria
Na geléia geral brasileira que o Jornal do Brasil anuncia
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi
A alegria é a prova dos nove e a tristeza é teu porto seguro
Minha terra é onde o sol é mais limpo e Mangueira é onde o samba é mais puro
Tumbadora na selva-selvagem, Pindorama, país do futuro
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi
É a mesma dança na sala, no Canecão, na TV
E quem não dança não fala, assiste a tudo e se cala
Não vê no meio da sala as relíquias do Brasil:
Doce mulata malvada, um LP de Sinatra, maracujá, mês de abril
Santo barroco baiano, superpoder de paisano, formiplac e céu de anil
Três destaques da Portela, carne-seca na janela, alguém que chora por mim
Um carnaval de verdade, hospitaleira amizade, brutalidade jardim
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi
Plurialva, contente e brejeira miss linda Brasil diz “bom dia”
E outra moça também, Carolina, da janela examina a folia
Salve o lindo pendão dos seus olhos e a saúde que o olhar irradia