Texte
Print version ISSN 0101-7330
Educ. Soc. vol.22 no.76 Campinas Oct. 2001
http://dx.doi.org/10.1590/S0101-73302001000300016
PÓS-MODERNIDADE, ÉTICA E EDUCAÇÃO* José Luís Sanfelice**
O autor Pedro Goergen, na apresentação da sua obra, tem a preocupação natural de indicar a estrutura, o conteúdo de cada uma das suas partes, bem como as expectativas com as quais se expõe ao público na abordagem do tema. Chama-nos positivamente a atenção quando de forma esclarecedora e antecipatória assume sua aproximação teórica de Jürgen Habermas que, como outros que o antecederam, reconhece as aporias do projeto iluminista e não abre mão do conceito moderno de razão. Situa-se, portanto, numa ótica segundo a qual mantém-se a possibilidade de um projeto emancipador da humanidade e, por conseguinte, discordante dos "chamados pós-modernos para os quais o conceito de razão com traços de universalidade e a possibilidade de interferir nos caminhos da humanidade são idéias do passado, hoje vazias de sentido" (p. 2). Ele pensa, todavia, "que muitos insights pós-modernos são altamente esclarecedores das condições históricas em que vivemos..." (p. 2).
Já posicionado, o autor passa-nos, na introdução do trabalho, mais alguns elementos: o seu objetivo é examinar a relação entre pós-modernidade, ética e educação.
Na polêmica que se vem travando, a modernidade é o desencantamento e a contemporaneidade, segundo a radicalização de Lyotard, é a pós-modernidade. Face ao embate e às questões teórico-práticas arrisca-se, entretanto, um diagnóstico: encontramo-nos no limiar do surgimento de uma nova consciência, principalmente face às perspectivas que a ciência e a tecnologia abrem à intervenção nos segredos da vida. O projeto moderno pode tomar novos rumos e a discussão do tema da ética é de novo de imensa atualidade. A educação, por sua vez, estaria relacionada a este contexto como estimuladora desta nova consciência.
Postas estas considerações, apresenta-se