Teoria dos Jogos
Autoria: José Célio Silveira Andrade, Camila Carneiro Dias
Resumo
Este ensaio teórico tem por objetivo empreender uma análise da aplicabilidade da Teoria dos Jogos para a compreensão do comportamento de atores organizacionais em situações de interdependência estratégica, caracterizadas pelo dilema entre racionalidade individual e ação coletiva. Verificando-se as potencialidades e lacunas da Teoria dos Jogos para a compreensão desse objeto, a partir da análise dos seus princípios teóricos fundamentais – modelo de utilidade esperada, equilíbrio e regras do jogo - argumenta-se que uma abordagem excessivamente racionalista e formal da interação estratégica, e da incerteza que lhe é característica, é danosa à própria teoria. Recomenda-se, portanto, a busca de cooperação intelectual com outros programas de pesquisa, em especial, o institucionalista, colocando-se, em relevo, a necessidade de analisar as interações estratégicas para além da racionalidade compreensiva individual.
1. Introdução
As escolhas dos atores organizacionais são, freqüentemente, decisões “coletivas”, no sentido de que os resultados de suas ações isoladas são reconhecidamente dependentes das decisões e ações de outros atores com os quais interagem. Este tipo de interação pode ser teoricamente representado como uma interação estratégica e modelado como um jogo. Adicionalmente, o fato de que os resultados podem ser qualificados como coletivos, ao passo que as decisões são individuais, requer, neste caso, a elaboração de uma noção de racionalidade estratégica atribuível aos atores em tais circunstâncias, na medida em que suas possíveis ações são contingentes às ações possíveis dos outros com os quais interagem.
A Teoria dos Jogos é um ramo da Teoria da Escolha Racional (TER) que estuda a tomada de decisões interdependentes com base em uma metodologia formal. Sua