Teoria da comunicação
Historicamente, pode observar-se como, a nível semântico, os termos «comunicação» e «comunicar» semodificam de uma forma sensível: «as acepções que, globalmente, significam "partilhar", passamprogressivamente para um segundo plano a fim de darem lugar às utilizações linguísticas centradas emtorno do significado de "transmitir"» (Winkin, 1981, 14).
A teoria da sociedade de massa e a correspondente bullett theory (ver 1.2.2.) da comunicação, representam eficazmente esta tendência, cuja expressão mais consistente é fornecida pela teoria da informação, ou melhor, pela teoria matemática da comunicação (Shannon -Weaver, 1949).
A origem do modelo vai buscar-se aos trabalhos de engenharia das telecomunicações. Nesses trabalhos, Escarpit (1976) distingue três momentos fundamentais: um estudo de Nyquist, de 1924, sobre a velocidadede transmissão das mensagens telegráficas, um trabalho de Hartley, de 1928, sobre a medida da quantidade de informação e, finalmente, o esboço publicado, em 1948, por Shannon, no Bell SystemTechnical Journal, da teoria da informação, «que é, acima de tudo, uma teoria do rendimento informacional» (Escarpit, 1976, 19). Todos estes estudos têm por objectivomelhorar a velocidade detransmissão de mensagens, diminuir as suas distorções e aumentar o rendimento global do processo detransmissão de informação. Esta é entendida como uma «propriedade estatística da fonte das mensagens[...], como medida de uma situação de equiprobabilidade, de distribuição estatística uniforme, que existe nafonte [...], como valor de equiprobabilidade entre muitos elementos combináveis, valor que é tanto maiorquanto mais escolhas são possíveis» (Eco, 1972, 14-15).
A teoria matemática da comunicação é, essencialmente, uma teoria sobre a transmissão óptima das mensagens e o esquema do «sistema geral de comunicação», proposto por Shannon, é o seguinte:
A transferência de informação efectua-se da fonte para o