Sorocaba
RESUMO: Objetiva-se a análise do conto “Sorôco, sua mãe, sua filha”, de João Guimarães Rosa. Os elementos da estrutura narrativa constituirão ponto de partida para o alcance do canto dionisíaco presente ao final da narrativa. Os vínculos possíveis quanto ao tratamento dado ao trágico tanto na obra de Guimarães Rosa quanto na de Friedrich Nietzsche serão ressaltados. PALAVRAS-CHAVE: João Guimarães Rosa; Friedrich Nietzsche; trágico.
2 GLRQLVtDFR FRP VHX SUD]HU SULPRUGLDO SHUFHELGR LQFOXVLYH QD GRU p D PDWUL] FRPXP GD P~VLFD H GR PLWR WUiJLFR (Nietzsche. $ RULJHP GD WUDJpGLD) O tempo da história, do enunciado, presente em “Sorôco, sua mãe, sua filha”, terceiro conto de 3ULPHLUDV HVWyULDV (1962), de João Guimarães Rosa (1908-1967), é bastante curto. Começa pouco antes das 12h45m e termina pouco depois. Neste horário, Sorôco embarca sua mãe e sua filha no trem que as conduzirá a um hospício em Barbacena. A impotência do protagonista diante da loucura de ambas determinou a separação. Mãe e filha partem para não mais voltar, deixando, desta forma, o filho-pai desprovido, para sempre, de família. O referido conto registra a dor muda da separação e seus efeitos imediatos sobre Sorôco e sobre a pequena comunidade sertaneja, que lhe é solidária, a acompanhar, como uma espécie de coro trágico, o momento em que o destino do personagem se modificará de maneira definitiva. A ação registra a circunstância de crise vivenciada por Sorôco, dividindo sua vida em o antes, com família, e o depois, sem família. Trata-se do registro do iJRQ do personagem. O tempo da história, do enunciado, é, pois, aquele que marca divisão na existência do protagonista. O próprio nome do personagem traz a marca deste estado limite, dada sua proximidade com “sororocar”. Segundo Nilce Santana Martins, a palavra
Terra roxa e outras terras – Revista de Estudos Literários Volume 3 (2003) – 23-39.