Sonhos - cronica sobre o coronel manoel josé de almeida
Assim como eu, meu pai nasceu aqui. Eu o admirava muito, e foi ao som de seus sermões que aprendi a ser homem. Assim como todos os pais, ele queria o melhor para mim. Queria me dar o que nunca tivera: a educação, não educação de boas maneiras, mas sim a dos estudos. Ele era um grande homem, sonhava alto, era forte e humilde. Cresci me espelhando nele, sua bondade me contagiava. Assim, cresceu em mim um sonho, queria ver aquela terra, dura, mas fértil, produzindo. Sonhava com um futuro melhor para mim e meu bom pai. Um dia, me vida mudou. Meu pai acabara de chegar em casa, sorrindo, um sorriso sutil, quase imperceptível, mas tão cheio de ternura que, na hora em que vi, senti um forte frio na espinha. Imaginava o que poderia ser esse sorriso, ate que, seus olhos verdes e brilhantes se fixaram aos meus, ele devagar abriu a boca, respirou fundo e sussurrou: “Você vai estudar, filho, você vai estudar”. O silencio tomou conta da casa. Seus olhos, assim como os meus, se encheram de lágrimas. Abraçou-me forte. Um abraço doce, que talvez, tenha sido o que me fizera seguir em frente, com todas as minhas forças. Eu não sabia, ao certo, onde eu iria estudar, qual era o nome da escola ou o que ensinava, mas fui, de cabeça erguida. Eu e meu pai nos despedimos, e então falou no meu ouvido: “Te amo”. Novamente meus olhos se encheram de lagrimas, sequei-as, subi na carroça e segui em frente, com a mesma expressão no rosto de um soldado que vai para a guerra. “Caio Martins”, um nome translucido aparecia ao longe num grande painel, foi a primeira coisa que vi ao chegar naquela exuberante escola. Percebi, então, que era o seu nome, nome que ficaria guardado para sempre na historia. Imaginei. Imaginei como seria o homem que fundara a escola, imaginei porque fundaria uma escola ali, imaginei como seria sua voz, seus olhos, quais seriam seus ideais, e se um dia viria conhecê-lo. Estudei, então, por dias, meses, por anos, sem ter, ao menos, uma pista de como era o