Sociedades africanas
29/09/2012
Todo brasileiro, mesmo alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo – há muita gente de jenipapo ou mancha mongólica pelo Brasil – a sobra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro. No litoral, do Maranhão ao Rio Grande do Sul, e em Minas Gerais, principalmente do negro. A influência direta, ou vaga e remota, do africano. (FREIRE, 2006. p. 367)
A descrição feita por Gilberto Freire no clássico Casa-grande & senzala, remete ao processo de mistura de raças ocorrida no Brasil de 1500, levando a entender que por mais que distinto as raças sejam, existe um traço genético ou cultural dentro de cada uma. O Brasil foi e ainda é um país de grande diversidade cultural, hoje muito mais influenciada pela cultura americana do consumo, mas que à tempos é formada através de uma relação dialética entre a cultura Ocidental e a Oriental, ou seja, europeia e africana. Sobre grandes formas e sentidos de organização as culturas inferiores sempre foram minimizadas pela supremacia europeia. Houve sempre uma intenção de separação de povos de origem similar para que não existisse a identificação, pois, sendo assim, poderiam se organizarem e fazer jus ao peso de sua densidade diante de uma revolta. Mas como afirma Caio Prado Junior em A formação do Brasil contemporâneo, o que os unia era sua consciência de grupo, de escravo e de reprimidos. “...esquecer aquela diversidade sob o pretexto que a escravidão foi o molde comum que os identificou.” (JUNIOR, 1969. p. 85) A questão diante do educador historiador é a identificação dos alunos com a matéria ou disciplina de sociedades africanas, hoje obrigatória pela Lei nº 10.639, que garante tal curso no ensino fundamental e médio. Isto é, ao trabalhar os problemas apresentados pelos autores básicos desta disciplina do curso de História da UFTM, como Fábio Leite, Paulo F. de Morais Farias, etc. repensamos a identidade nacional, a