Sobre o Livro 2 de Hans Staden
É notável o papel que Staden exerceu ao escrever suas experiências com os indígenas. Diferente de caminha, que em sua carta deixa um tom de surpresa e deslumbramento um tanto superficial em relação aos nativos tupiniquins, Staden esteve durante um período consideravelmente maior em contato com os Tupinambás a ponto de descrever em uma profundidade impressionante as relações dessa tribo e todos os aspectos que os rodeavam, podendo se considerar que realizou, mesmo que indireta e inconscientemente, um excelente estudo antropológico e sociológico para a sua época e que se mostra bastante rico para nós contemporâneos.
Composto por trinta e seis capítulos, as figuras que compõem essa parte do livro são riquíssimas em suas descrições. Ao descrever os indígenas, Staden deixa perceber uma sociedade completamente organizada e possuidora de relações avançadas para aqueles que eram considerados “selvagens”. Faziam uso de alimentação baseada em raízes (mandioca), cujos derivados eram extremamente bem aproveitados como farinha, bebidas e iguarias (beiju). A sociedade era pré-capitalista, onde inexistiam relações comerciais e dinheiro: todos se ajudavam solidariamente, lembrando uma cooperativa primitiva. Homens e mulheres tinham suas tarefas bem definidas, que poderiam estar entre cuidar da ‘lavoura’ e das crianças (mulheres) e a caça e pesca (para os homens).
Tem como entidade superior uma espécie de chocalho que pensavam ter vida própria, uma espécie de crença animista. Eram praticantes da