sexo e temperamento
Autor: Margaret Mead
CONCLUSÃO
O conhecimento de que as personalidades dos dois sexos são socialmente produzidas é compatível com todo programa que aspire a uma ordem social planejada. É uma espada de dois gumes que pode ser usada para derrubar uma sociedade mais variada, mais flexível que a raça humana jamais produziu, ou apenas para abrir um atalho estreito pelo qual um ou os dois sexos serão obrigados a marchar, arregimentados, sem olhar nem à direita nem à esquerda. Possibilita um programa fascista de educação, onde as mulheres são forçadas a voltar ao modelo que a Europa moderna fatuamente acreditou haver destruído para sempre. Possibilita um programa comunista, no qual os dois sexos são tratados quase tão igualmente quanto o permitem suas diferentes funções fisiológicas. Por ser o condicionamento social o determinante, foi possível à América, sem um plano consciente, mas nem por isso menos seguro, inverter, em parte, a tradição européia da dominação masculina e preparar uma geração de mulheres que regulam suas vidas pelos padrões de suas professoras e de suas mães agressivas e orientadoras. Seus irmãos andam aos tropeções numa vã tentativa de preservar o mito da dominação masculina numa sociedade onde as moças passaram a considerar este predomínio como seu direito natural. Disse uma menina de quatorze anos comentando o significado do termo tomboy: "Sim, é verdade que antigamente significava uma menina que tentava agir como um menino, vestir-se como menino e outras coisas semelhantes. Mas isto foi no tempo da saia-balão. Agora, tudo o que as meninas têm a fazer é agir exatamente como os meninos, calma, calmamente". A tradição neste país tem mudado tão rapidamente que o termo sissy, que há dez anos se referia a um menino com traços de personalidade considerados femininos, pode agora ser aplicado com ênfase ferina de uma menina a outra, ou pode ser definido por uma menina pequena como "o tipo de menino que usa sempre luvas de