Resumo: A formação humana na perspectiva histórico-ontológica
O Sentido da filosofia da educação e a formação humana
Admitindo que certos homens, as crianças e os jovens são formados por outros homens, os adultos, cabe conferir se isso é possível e, em caso positivo, se é lícito. Estamos aí diante de uma questão filosófica por excelência,ligada ao problema da possibilidade, da legitimidade, do valor e dos limites das ações humanas.
No livro Educação brasileira: estrutura e sistema, empreendeu-se a análise da estrutura do homem visando exatamente resolver os problemas da possibilidade à semelhança do que fizera Kant.
A educação revelava-se impossível na medida em que fossem considerados apenas os elementos que caracterizam a estrutura do homem em seu aspecto prático.
A análise do aspecto pessoal mostrava o homem como um ser que, embora situado, se revelava capaz de interferir pessoalmente na situação para aceitar, rejeitar ou transformar. Esse aspecto já permitia responder positivamente à questão da possibilidade da educação. Se o homem é livre e capaz de intervir na situação, então ele pode intervir na vida das novas gerações para educá-las. Mas com que direito o educador vai interferir na vida do educando se este, como ele, é igualmente livre porque também pertencente ao gênero humano?
A análise do aspecto intelectual revela que o homem não se mantém preso às suas condições situacionais e pessoais. Funda-se aí, a legitimidade da educação, que surge, então, como uma comunicação entre pessoas livres em graus diferentes de maturação humana. Nessa formulação, o valor da educação expressa-se como promoção do homem. Enunciamos, então, uma primeira definição de educação: a educação, enquanto comunicação entre pessoas livres em graus diferentes de maturação humana, é promoção do homem, de parte a parte – isto é, tanto do educando como do educador.
A filosofia da educação cumpre um papel preliminar de estabelecer a própria identidade de seu objeto, isto é, a educação.