Resumo a emergência do lazer
O crescimento da chamada “indústria do lazer e entretenimento”, trouxe o assunto para as páginas de negócios. Há alguns anos, lazer não fazia parte do discurso corrente. Nas Universidades, o assunto só encontrava um espaço marginal. A economia não estava ainda atenta ao potencial de negócios desse enorme mercado. No curso da história, observamos que a contínua busca de formas de diversão não significa ter sempre existido o lazer. Por certo existem similaridades com o que foi vivido em momentos anteriores, mas o que hoje entendemos como lazer guarda peculiaridades que somente podem ser compreendidas em sua existência concreta atual.
O LAZER NASCE NA GRÉCIA? Na Grécia Antiga, valorizava-se acima de tudo a contemplação e o cultivo de valores como a verdade, a bondade, a beleza. O tempo livre necessário para a dedicação ao estado de contemplação esperado, era denominado skholé. A elite podia se dedicar a seu desenvolvimento espiritual, enquanto uma grande massa de escravos fazia o “trabalho sujo”. O que ficou dos gregos em nosso conceito atual? Não muito. Ao contrário dos gregos, temos hoje uma supervalorização do trabalho, até mesmo nas elites. E aqueles que têm tempo livre e condições financeiras, muitas vezes substituem a perspectiva de crescimento espiritual pela de consumo desenfreado.
O LAZER TERIA SURGIDO EM ROMA?
Com a anexação da Grécia à Roma, que era um povo guerreiro, a forma de ver o tempo livre mudou. O tempo de não-trabalho, não era uma oportunidade para a contemplação da beleza, e sim para a preparação do corpo para a volta ao trabalho.
Em Roma se desenvolveu uma preocupação com a diversão popular, não mais restrita às elites. Enquanto à elite eram oferecidas atividades de reflexão, à massa da população eram oferecidas práticas de distração e alienação, organizadas pelo próprio Estado como uma forma de dominação e controle da massa. Aí tem início o uso instrumental do tempo de não-trabalho,