Resenha metodologia das ciências sociais
Resenha de “Métodos de Pesquisa em Ciências Sociais”, Cap. I e II, de H. S. Becker
O autor defende um envolvimento maior e compromisso de fato dos “homens de ação”, os sociólogos de campo, com a Metodologia de Pesquisa: isso envolve não só explicitar de maneira responsável e pormenorizada os caminhos do estudo em foco (o que não é ainda Metodologia, mas tão somente a exposição do método), mas contribuir para a evolução do edifício metodológico e do corpo da própria ciência sociológica ao se propor ir além dos limites instituídos, ousar ao abordar o que fica para além da um tanto rígida fronteira do “bem estabelecido” e (aí sim temos uma verdadeira contribuição metodológica) expor, estudar, analisar e submeter à validação os “pressupostos empíricos”, ou “macetes do ofício”. “A metodologia é importante demais para ser deixada aos metodólogos” é a sentença de abertura do trabalho em questão e se torna impossível não citá-la: resume a ideia acima exposta e nos deixa clara a posição do autor de que o metodólogo, enquanto profissional, dificilmente estará a par de todas as questões metodológicas significativas do ofício da Sociologia, ou que não há garantia que dará o devido valor àquelas que representam uma fuga aos limites clássicos de sua ciência, e que são, muitas vezes, aquelas que estão em voga e construindo carreira nas publicações sociológicas. Daí ser essencial a todo profissional da sociologia ser também um interessado na discussão metodológica, e provocá-la dentro do ambiente acadêmico. Acontece que, quando se foge à necessidade de um novo tipo de método, quando se opta por insistir num grupo reservado de linhas de abordagem, quando são ignoradas as modalidades alternativas de método de pesquisa, privamos nosso trabalho de qualidade científica, o que torna, segundo Becker, a Metodologia proselitizante, portanto restritiva. Becker expõe a parcialidade da ciência metodológica convencional, que