Resenha crítica à obra “dois perdidos numa noite suja”.
A sujeira do homem
A peça e o filme “Dois perdidos numa noite suja” retratam uma história intrigante e uma realidade muitas vezes não vista pela sociedade.
Ao comparar o filme “Dois perdidos numa noite suja”, dirigido por José Jofily, com a peça escrita por Plínio Marcos percebe-se uma distinta linguagem artística. Uma diferença clara é que o filme apresenta os dois personagens, Tonho e Paco, como um homem e uma mulher respectivamente, acarretando outros contextos não existentes na peça, que os exibe como homens.
A peça de Plínio Marcos se passa no Brasil e apresenta uma história de amizade insegura entre os dois personagens. Tive a impressão de que a peça mostra uma sensação de dependência entre eles, apesar de não existir nenhum cuidado para que a relação dos dois durasse. Paco e Tonho demonstram não se importar um com o outro, sendo que no fundo só têm a eles mesmos. Os dois personagens vivem discutindo por coisas fúteis e sem sentido, como um par de sapatos que Paco nega emprestar a Tonho até o fim. Os dois precisam de dinheiro, e por esse motivo, planejam assaltar no parque um casal de namorados, já que Tonho, por não ter um par de sapatos igual ao de Paco, não consegue arrumar emprego. Paco no assalto acaba machucando a vitima, o que deixa Tonho assustado e com medo de que a polícia os persiga. Há uma discussão entre eles, o que gera uma agressão verbal por parte de Paco. Isso leva Tonho a humilhar Paco e a assassiná-lo no final, como forma de vingança, ficando com tudo que conseguiram no assalto.
Já a história do filme ocorre nos Estados Unidos. Tonho e Paco se conhecem em Nova York e começam a morar juntos em um estabelecimento pobre e sujo, característica semelhante à peça. A partir daí, os dois iniciam uma trajetória triste e inesperada. A dupla passa por situações críticas e não pode contar um com o outro, pois Paco possui uma personalidade forte, porém insegura, o que impossibilita a sua