Resenha crítica do fime "a onda"
Mas uma coisa é ser manipulado para fazer algo “inofensivo”, como comprar um produto que você não tem nenhuma necessidade, outra é ser impelido a formar um grupo fechado que exclui tudo e todos que não estiverem de acordo com seus preceitos. Sobre isso e outras “coisitas” é que trata Die Welle. No melhor estilo de experimentação em sala de aula, Rainer Wenger quer demonstrar, durante a semana de aulas de seu curso de autocracia, como é possível o surgimento de movimentos ditatoriais. Impressionante como os jovens “avoados”, desunidos e individualistas aderem a um movimento que prima pela disciplina e pela padronização dos indivíduos.
Inicialmente o que era uma “brincadeira” ganha traços de seriedade e, como pode ocorrer em qualquer situação – com ou sem experimento em sala de aula -, sai do controle através de mãos de extremistas desequilibrados. Acredito que os jovens que o filme mostra começaram a aderir as propostas do professor um pouco por “coña”, ou seja, na brincadeira. Mas depois, ao sentirem suas opiniões sendo escutadas no conjunto de um processo de “construção” do grupo, assim como de se sentirem protegidos por pessoas daquela “irmandade”, cada aluno também se sentiu forte e valorizado – coisa que muitos deles não sabiam o que era, em uma comunidade competitiva onde interessa sua origem (classe social e raça) mais do que sua capacidade individual -, transformando aquela brincadeira em algo muito sério e real.
A situação saiu do controle e o professor, avesso ao que acontecia fora