Rei NÚ
Fonte: ANDERSEN, H. C. Contos de Andersen. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978. p. 108-13.
Hans Christian Andersen foi um dinamarquês que gostava de contar estórias para grandes e pequenos. Todos conhecem a estória do Patinho Feio. Imagino que ele a inventou para consolar um menino feio, sem amigos, motivo de zombaria. Contou também a estória de uma menininha que, numa véspera de Natal, a neve caindo, tentava vender fósforos numa esquina da cidade. Ninguém parava. Ninguém comprava. Todos caminhavam apressados para suas casas onde havia uma lareira acesa, o vinho, a ceia e os presentes os esperavam. Todos queriam celebrar o nascimento de Jesus. É uma estória triste. De manhã a menininha estava morta na calçada, gelada pelo frio. É uma estória bem brasileira: não temos menininhas vendendo fósforos sob a neve que cai mas temos muitas crianças, adolescentes e velhos vendendo balas de goma nos semáforos. Uma das histórias de Hans Christian Andersen conta o seguinte:
Há muitos anos vivia um rei que gostava muitíssimo de rou¬pas novas e bonitas. Tinha um traje para cada hora do dia. A gran¬de cidade onde ele residia era alegre e movimentada; todos os dias ali apartavam muitos viajantes. Um belo dia, chegaram dois trapaceiros, que, fazendo-se passar por tecelões, anunciaram que sabiam tecer panos maravilhosos. Não só as cores e os padrões de seus tecidos eram algo fora do comum como também as rou¬pas com eles feitas tinham um extraordinário predicado: o de se tornarem invisíveis para as pessoas que fossem simplesmente néscias.
- Que roupas formidáveis! - disse de si para si o rei. ¬Fazendo-as vestir, eu poderia saber que homens no meu reino não servem para o cargo que ocupam. Poderei, também, distinguir os sábios dos néscios. Pois quero que esses panos sejam imediata¬mente tecidos!
E deu desde logo muito dinheiro aos dois trapaceiros, para que começassem sem perda de tempo a trabalhar. Os dois montaram dois teares, fingiram trabalhar, mas não tinham