Realidade Do Trabalho Artesanal
DE AÇÚCAR : Mestrança e Tradição as margens do Rio São Francisco.
RESUMO: Este trabalho procura analisar, dentro das limitações de um artigo, a construção social dos mestres fazedores de canoas, situados na cidade de Pão de Açúcar, no lado alagoano do rio São Francisco, tendo como marco teórico a arte da mestrança, o saber-fazer patrimonial e a perpetuação das tradições. A mestrança é pratica porque sistematiza o conhecimento, é o fundamento da realização do trabalho, e na condução das praticas sociais, nunca deixando de lado a valorização e exaltação do segredo.
Palavras- Chave: Mestrança; Tradição, Rio São Francisco; Canoas.
Introdução:
São nos estaleiros artesanais situados as margens do rio São
Francisco, ao longo de perímetro urbano por onde corre o rio na Cidade de Pão de Açúcar, que nosso estudo está sendo desenvolvido. Assim, os estaleiros são o lócus, o ponto de observação do exercício da mestrança, da criação e recriação do trabalho de artesãos de barcos, de dinâmicas socioculturais alimentadoras e alimentadas pelo saber-fazer dos mestres. Nessa delimitação espacial de pesquisa, a partir de um levantamento exploratório, pudemos identificar a quantidade de 2 (dois) estaleiros, que nos dão uma boa base de validação e sustentação da nossa pesquisa.
Por que a importância dos estaleiros para a construção das canoas e botes? Os estaleiros são mais do que espaços físicos, visto que eles são constituídos por processos de construção social, composto de uma diversidade de situações, em que se dão e se reproduzem as relações sociais típicas desse tipo de trabalho. Acima de tudo, os estaleiros são verdadeiros centros de formação e convivência cultural, de trocas de experiências e saberes e de simbologias entre os homens. Mais do que a importância do valor econômico
produzido nos estaleiros, o que mais se destaca nessa atividade laboral é também a importância dada à tradição, ao