passeata dos cem mil
Desde 1967, o movimento estudantil era a principal forma de oposição ao regime militar e, nos primeiros meses de 1968, vários protestos foram violentamente reprimidos. Além de se manifestar contra a ditadura militar, o movimento estudantil manifestava contra a política educacional adotada pelo governo, que tendia à privatização.
As prisões e outras ações arbitrárias eram as marcas da atitude do governo militar com relação aos crescentes protestos dos estudantes. Essa repressão atingiu o seu auge no final de março de 1968, com a invasão do restaurante universitário “Calabouço”, onde estudantes protestavam contra o aumento do preço das refeições. Durante a invasão, o secundarista Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, foi morto com um tiro à queima roupa, pelo comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo.
Este fato comoveu e acirrou os ânimos em todo o país. Nos dias seguintes, aconteceram manifestações no centro da cidade do Rio de Janeiro, todas elas violentamente reprimidas, até culminar na missa da Candelária, em 4 de abril, quando soldados a cavalo atacaram estudantes, repórteres, padres e populares. No início de junho daquele mesmo ano, o movimento estudantil começou a organizar mais manifestações públicas, inclusive em outros estados, onde o movimento aumentava o seu nível de organização e mobilização.
A passeata
Na manhã do dia 26 de junho de 1968, as ruas da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, já eram tomadas pelos participantes do ato político. A marcha teve início às 14 horas, com aproximadamente 50 mil pessoas presentes. Cerca de uma hora depois, esse número havia dobrado, chegando aos 100 mil manifestantes. Além dos estudantes, a manifestação contou com a participação de artistas, intelectuais, políticos e outros segmentos da sociedade civil brasileira, tornando-a uma das mais expressivas manifestações populares da história da República do Brasil.
Com uma enorme faixa à frente, onde se lia “Abaixo