Para além da crise econômica: o grande capital e a opinião pública na redemocratização
Cenário nacional
O Brasil ganhou a reputação de "economia do milagre" no início dos anos 70 quando o governo daquela época estabeleceu metas por setores de atividade econômica e o País crescia a uma taxa anual de dois dígitos num clima de apreciável estabilidade. Essa estabilidade econômica permitiu uma expansão industrial admirável durante dez anos seguidos, colocando o Brasil entre as nações líderes na industrialização. Ainda assim, apesar do progresso, muitos problemas permaneciam ocultos, a população migrava do campo com mais intensidade atraída pela maior oferta de emprego nas cidades e crescia a demanda pelos serviços públicos. A inflação de dois dígitos dos anos 70 passaria a três dígitos nos anos 80. A crise brasileira nos anos de 1980 foi decorrente de um processo de inserção internacional do país, trazendo como consequência crises cambiais, devido à ampliação da entrada de recursos externos advindos desde o período do milagre econômico. Por causa dos choques do petróleo e dos juros externos, o crescimento do endividamento passou a alimentar o aumento dos custos da própria dívida, ocasionando um esgotamento de um projeto de desenvolvimento e uma crise financeira do Estado brasileiro. O desenvolvimentismo atuante passou por pressões no Governo Sarney para haver implementação da Constituição neoliberal no Brasil.
Opinião pública, democratização e publicidade
Segundo Habermas, com a decadência da esfera pública, desde o século XIX, a opinião pública adquiriu um duplo caráter, mesmo que em proporção desigual: ela é ainda não só uma "instância crítica" do poder político e social, mas, sobretudo, uma "instância receptora" da ação manipulativa deste poder. Relacionado à “instância receptora” podem ser destacados os meios de comunicação, que deixaram de ser meros mediadores entre as opiniões privadas, passando a comprometer a autonomia de