OBSERVAÇÕES SOBRE A DIREÇÃO DO TRATAMENTO EM UM CASO DE ESQUIZOFRENIA
DIREÇÃO DO TRATAMENTO EM
UM CASO DE ESQUIZOFRENIA
Nilson Sibemberg*
* Médico psiquiatra, Psicanalista, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, membro das equipes clínicas do Centro LydiaCoriat e do Centro de Atenção Integral à Saúde Mental-8, Professor do Centro de Estudos Paulo Cesar D.Avila Brandão.
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A direção do tratamento nas psicoses aponta para distintos caminhos. Nas psicoses não decididas da infância torna-se possível a inscrição da metáfora paterna, constituindo a operação de separação da criança do corpo materno pela intervenção simbólica dessa instância terceira, o Nome-do-Pai.
A puberdade impõe uma marca real ao sujeito, que diante da demanda do Outro reatualiza o complexo de castração de tal forma que nas psicoses costuma tornar essa estrutura psíquica como decidida. O delírio do psicótico aparece como uma tentativa de cura, significação delirante que busca fazersentido a um vazio do sujeito. Esse vazio diz respeito à rejeição de um significanteprimordial no Outro, o Nome-do-Pai, significante metafórico que permiteao sujeito o acesso à significação fálica. Assim, o delírio viria a se constituir como uma tentativa de articular uma metáfora que possa fazer suplência do Nome-do-Pai e rearticular o conjunto de suas significações na falta dosignificante fálico. Uma metáfora delirante. No entanto, diferente da paranoia que pode construir uma consistência delirante, cuja articulação metafórica em consonância com elementos do discurso social lhe facilita um certo trânsito,na esquizofrenia se faz mais difícil a construção de uma metáfora delirante,requerendo, em alguns casos, outros dispositivos clínicos que possam ajudar na constituição de um sintoma que permita ao sujeito articular um nó entre osregistros dissociados do real, do simbólico e do imaginário, caracterizando,como refere Jerusalinsky (1998), uma operação ortopédica1, mas que permitemuma estabilização da psicose. O que não pode ser menosprezado selevarmos em conta