Movimentos Negros e a Ditadura Civil Militar
O racismo e a presença dos negros nesta sociedade, nas Américas, só podem ser compreendidos por meio de um resgate histórico do tráfico negreiro. Esse foi o mais lucrativo negócio pós Revolução Industrial que está na origem da acumulação primitiva e do capitalismo, pois o tráfico negreiro era tratado como uma empresa na qual concorriam o capital dos brancos europeus e o aporte logístico das monarquias nacionais europeias. O estoque de onde era suprida essa demanda foi do continente africano, inclusive com apoio de algumas monarquias locais, e a “mercadoria” preferencial eram os nativos de pele escura; os de pele clara, do norte da África, não foram traficados. O tráfico negreiro se tornou a norma e o capital resultante dessa prática ficou todo concentrado na metrópole, na Europa. Disso decorre a hegemonia de uma pequena elite branca que se mantém desde a época colonial. E os movimentos negros durante a ditadura no Brasil, são desdobramentos de todo esse contexto histórico e perpetuação econômica e social dos brancos. Os movimentos negros têm entre suas origens o período pré-ditatorial com revoltas, compreendidas entre 1890 a 1930, tais como a Revolta dos Contestados no Sul, a Revolta da Vacina no Rio de Janeiro, a Guerra de Canudos na Bahia, a Revolta dos Marinheiros, também no Rio de Janeiro, que se opunha aos castigos físicos empregados contra os negros, mas seu movimento acabou sendo traído. Foi nesse período também – de 1890 a 1920 – que o Brasil iniciou seu maior projeto de branqueamento, com 1,5 milhões de imigrantes europeus os quais foram trazidos para o país, assim como ocorreu na Argentina e no Chile, igualmente. Apesar disso, os movimentos negros persistiram, se fazendo presentes, inclusive, nas greves e nas primeiras organizações pré-sindicais. Durante o governo de Getúlio Vargas, de 1930 a 1945, outras manifestações de