Medeia e Gota d'agua
A tragédia contada na peça, narra os fatos ocorridos em Corinto, cidade grega no ano 431 antes de Cristo. Nesta época o teatro era responsável pela construção e educação do homem, principalmente na Grécia, berço da democracia. As peças apresentavam discussões sobre os acontecimentos, baseando-se nos mitos. Na cultura ateniense, a mulher tinha um papel particular que foi discutido de uma maneira bastante trágica nesta peça, pois nela a mulher é retratada coberta de emoção e paixão, ressentida por ser traída e trocada por outra mulher pelo homem que amava sentimentos irracionais para os gregos, em oposição ao homem racional.
Sabe-se que no inicio da civilização grega, onde a cidadania e a democracia já eram assuntos discutidos entre os homens, embora as mulheres fossem reconhecidas como membros da comunidade, elas permaneciam à margem da vida pública, da pólis. Em geral eram despossuídas de direitos políticos ou jurídicos e encontravam-se inteiramente submetidas a uma sociedade, onde somente os homens tinham formação e educação.
Gota d’agua:
Gota D´Água é o livro que conta a releitura na literatura da peça Medéia. Chico Buarque e Paulo Pontes souberam como captar os fatos do momento histórico no qual Medéia se passa e transpô-los para a contemporaneidade como, por exemplo, a magia mitológica já não existe; em seu lugar os terreiros de macumba, a magia negra características abrasileiradas diferentes do cenário da Grécia antiga em sua concretude, mas iguais em sua essência, entre outras características que são dadas aos demais personagens da peça mitológica. Nesta obra mais atualizada, a história se repete: traição. Porém nesta nova narrativa o contexto é o de lealdade quando esta está favorável à causa própria, individual, visando o bem estar e o conforto. A perda da amizade em função da necessidade é algo retratado claramente neste livro.
Medéia e Gota D’Água
As duas obras retratam de forma diferenciada dois momentos: um épico e