Livro a etica a nicomaco -aristoteles
A Ética a Nicômaco é a principal obra de Aristóteles sobre Ética. Nela se expõe sua concepção teleológica e eudaimonista de racionalidade prática, sua concepção da virtude como mediania e suas considerações acerca do papel do hábito e da prudência na Ética. Em Aristóteles, toda racionalidade prática é teleológica, quer dizer, orientada para um fim (ou um bem, como está no texto). À Ética cabe determinar qual a finalidade suprema (o summum bonum) que preside e justifica todas as demais e qual a maneira de alcançá-la. Essa finalidade suprema é a felicidade (eudaimonia), que não consiste nem nos prazeres, nem nas riquezas, nem nas honras, mas numa vida virtuosa. A virtude, por sua vez, se encontra num justo meio entre os extremos, que será encontrada por aquele dotado de prudência (phronesis) e educado pelo hábito no seu exercício. Vale destacar aqui que a virtude, na época dos gregos, não é idêntica ao conceito atual, muito influenciado pelo cristianismo. Virtude era no sentido da excelência de cada ação, de fazer bem feito, na justa medida, cada pequeno ato.
CAPÍTULO 1
Agora, passemos a tratar da justiça. Devemos indagar com que espécie de ações se relacionam elas, que tipo de meio-termo é a justiça, e entre quais extremos o ato justo é o meio-termo.
Segundo a opinião geral, a justiça é a disposição de caráter que torna as pessoas propensas a fazer o que é justo, e as faz agir justamente e a desejar o que é justo. Por analogia, a injustiça é a disposição que leva as pessoas a agir injustamente e a desejar o que é injusto. Examinemos primeiramente o que vem a ser uma pessoa injusta. Tanto o que infringe a lei quanto o ganancioso e ímprobo são injustos e, em contraposição, o que cumpre a lei e é honesto, é justo. Desse modo, como o descumpridor da lei é injusto e que a cumpre é