Limites e possibilidades do uso da fenomenologia no serviço social
4214 palavras
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1-INTRODUÇÃO Na história da filosofia, a fenomenologia tem três significados especiais. Na segunda metade do século XVIII, era sinônimo de “teoria das aparências”. Com Hegel, a fenomenologia era considerada uma espécie de lógica do conteúdo e uma introdução à filosofia, história das fases sucessivas, das aproximações e das oposições pelas quais o espírito se eleva da sensação indivivual à razão universal. Mas, foi com Husserl que a palavra fenomenologia ganhou, nas primeiras décadas do século XX, o significado de que hoje se reveste. A fenomenologia husserliana é uma meditação sobre o conhecimento. De acordo com a Barsa (2002, p. 228), “Considera que aquilo que é dado à consciência é o fenômeno. Esse fenômeno só aparece numa consciência.” A história do termo pode, no entanto, ser mais esclarecedora do que sua mera etimologia, se pelo menos admitimos que a fenomenologia representa um momento não desprezível da história da filosofia. O primeiro texto em que figura este termo é o Novo órganon de J. H. Lambert, discípulo livre de Christian Wolff, que entende por fenomenologia a teoria da ilusão sob suas diferentes formas. É talvez sob a influência de Lambert que Kant retoma por sua vez o termo; ele o utiliza, em todo caso, em 1770 numa carta a Lambert onde o que chama “phaenomenologia generalis” designa a disciplina propedêutica que deve, segundo ele, preceder a metafísica. O verdadeiro fundador da fenomenologia no sentido moderno foi Edmund Husserl, que deu um conteúdo novo a uma palavra já antiga. Segundo Dartigues (2005, p. 11), “Husserl procura substituir uma fenomenologia limitada por uma ontologia impossível”. Edmund Husserl pretendia conferir à filosofia o caráter de disciplina científica que toma por objeto o fenômeno tal como aparece na consciência. Neste trabalho nos limitaremos, portanto, à ideia da fenomenologia tal como Husserl a elaborou e como se desenvolveu após ele e sob sua inspiração.
2-CONCEITO A fenomenologia, etimologicamente, é o