Kant- A boa vontade e o dever
Para Kant a boa vontade se baseia nos princípios da moralidade, e acima de tudo na capacidade do homem, na sua determinação em voltar as atenções aquilo que é bom em si mesmo e fora de toda finalidade que qualquer ação é capaz de promover. A ação não é boa ou má por aquilo que promove, mas sim pelo querer em si mesmo. Deste modo, a boa vontade é uma condição de toda a moralidade, ou seja, a vontade para ser considerada boa não pode depender das consequências da ação que dela procede, porque assim deixaria de ser incondicionalmente boa e passaria a ser boa sob condição. Subentende-se que o que é importante é a intenção que se encontra na origem da ação, é a reta intenção que torna boa a boa vontade, a única intenção que torna uma ação boa é, segundo Kant, a intenção de cumprir o dever e a boa vontade é boa pelo seu próprio querer sendo governada pela razão.
Analisando-se o conceito de boa vontade, Kant afirma que o conceito de dever envolve sempre o de boa vontade. A nossa vontade deve ser considerada boa vontade quando agir por dever, porque a vontade é boa pelo motivo que a leva a realizar uma determinada ação e não pelo propósito ou fim que com ela se pretende alcançar. Ele afirma dizendo que só é verdadeiramente boa a ação de uma boa vontade e a vontade só é boa quando age por dever. O dever é a necessidade de agir por respeito à lei que a razão dá a si mesma. Se agir contra o dever entende-se que a pessoa agiu no campo da imoralidade, se agir conforme o dever a pessoa agiu no campo da legalidade, se agir por dever a pessoa agiu no campo da moralidade.
Significa dizer que agir por dever é a ação própria da boa vontade, motivado apenas pelo seu cumprimento e não por outros motivos. A vontade que decide agir por dever é a vontade para a qual agir corretamente é o único motivo que está na base da sua decisão.
Kant diz que quando se trata de valor moral, o que importa não são as ações exteriores que se veem, mas os princípios