jonathan israel iluminismo
“No fim do séc XVII o cenário europeu fora varrido por uma força avassaladora, cujo fragor intoxicante, intelectual e espiritual dessas décadas constituiu uma enorme turbulência em todas as esferas de conhecimento e crença que abalou as fundações da civilização ocidental européia. Não era apenas uma questão da filosofia ou da ciência, mas a crença das pessoas, a autoridade da igreja, a inquisição e as próprias fundações da sociedade estavam sendo questionadas. Até mesmo pessoas comuns, iletradas estavam suscetíveis às novas ideias” .(pág 30)
Portanto, marco estaria, para Israel, depois de 1650, período que considera das ideia moderadas - no qual tudo quanto fundamental foi contestado à luz da filosofia e da razão cientifica - quando se estabelece rapidamente um processo geral de racionalização e secularização, questionando a hegemonia teológica do mundo dos estudos e da cultura intelectual, a veracidade da Bíblia, da fé cristã e de qualquer outra, a política e o cosmos. Em seu estudo, o período entre 1650-80 é designado como a fase de transição ou da crise da mente europeia e o período de 1680-1750, a época mais dramática e decisiva de repensar a revolução no pensamento ocidental. Se antes de 1650, quase todo mundo disputava e escrevia sobre as diferenças confessionais, por volta de 1680 escritores, principalmente oriundos da França, ingleses e alemães perceberam que o tema em debate agora era entre fé e incredulidade. Por volta do século XVIII, com efeito, o Iluminismo Radical ou Alto Iluminismo veria a consolidação e popularização das ideias e conceitos revolucionários formulados anteriormente, culminando com livros materialistas e ateus de La Mettrie e de Diderot, na década de 1740, homens chamados por