Globalização e desigualdade
Maio 2011
Sociedades Contemporâneas, Globalização e Mudança Social
Para Waters as definições de globalização que se encontram nos dicionários apoiam-se em expressões pouco úteis como “tornar global”, “o acto de globalizar”, “tornar mundial” ou “o acto de difundir através do mundo” e que pouco nos ajudam a compreender este fenómeno.
Waters (Globalização; 1999) apresenta-nos uma teoria sobre a globalização que se baseia em dois aspectos fundamentais. Primeiro, que a globalização consiste num processo social que tende a desligar-se do espaço geográfico. E segundo, que os indivíduos estão cada vez mais conscientes desse não-constrangimento geográfico. De acordo com Robertson, globalização foi assim definida: a globalização refere-se tanto à compressão do mundo como à intensificação da percepção do mundo como um todo (…). Assim, a globalização consiste na territorialidade que tende a desaparecer enquanto princípio organizador da vida social. É como se o espaço físico não existisse e se conseguisse contactar com o outro lado do mundo, ou seja, as preferências das pessoas deixam de ser previsíveis a partir da sua localização geográfica. Waters pretende deixar uma ideia de que a globalização o mundo parece estar a encolher. Relativamente à localização temporal deste fenómeno o autor reconhece que houve uma aceleração recente. Giddens fala numa “modernidade tardia” (um tempo mais contemporâneo) segundo o qual no diz que antigamente as relações eram estabelecidas face-a-face e que agora cada vez mais são estabelecidas na ausência pessoal. Este rejeita o “pós” pois esse termo remete para um corte e prefere antes designar de modernidade tardia com ligação a desenvolvimentos anteriores.
Relativamente à localização temporal são vários os autores que vêem a globalização como algo que sempre existiu. Appadurai vê a globalização como um fenómeno da modernidade (início do século XV). Outros autores, ainda mais críticos, vêem-na como um