Frei Luís De Sousa
“Frei Luís de Sousa”
Embora não perfeitamente histórico, o assunto é nacional, eivado do Sebastianismo que constituía uma força de reacção contra a dominação filipina; a defesa de valores relacionados com sentimentos nacionais; a valorização do folclore, mentalidade e sabedoria popular
(crenças, agouros, superstições, …); a conceção do amor como realidade fatal e irresistível; algumas personagens, sobretudo Madalena e Mª, embora aristocráticas, são verdadeiras heroínas românticas pelo seu comportamento emocional; a religião consoladora aparece para suavizar o sofrimento trágico; uma sensibilidade cristã percorre toda a obra e o próprio conflito tem, em grande parte, origem na ética cristã; a morte de uma personagem em palco admite-se no
Romantismo e não no Classicismo; os espaços e o tempo em que se localiza a acção; a linguagem e o estilo têm características românticas
(linguagem sempre digna e culta, porém, muitas vezes, com um tom declamatório, com muitas interrogações, reticências, exclamações, ou seja, emotiva, de acordo com os processos românticos; ao mesmo tempo, é acomodada às circunstâncias e às personagens: carregada de inquietação e angústia em Madalena; digna, respeitosa, sem deixar de ser familiar, em Telmo; nobre e elegante, por vezes, de tom didáctico, em MSC; confidencial, de tom religioso e moralizador, em Frei Jorge; emotiva e entusiasta em Maria.
O Sebastianismo em “Frei Luís de Sousa”
No “Frei Luís de Sousa”, o mito do Encoberto significa a construção de um discurso irrealista, que desvia o Homem da realidade e atrasa o percurso da História. A valorização negativa do
Sebastianismo está implícita na evolução das personagens sebastianistas. Ao contrário da expectativa sebástica, o percurso sacrificial do herói não é imolação redentora, mas ritual de morte. A comparência do Desejado, na figura do seu duplo – o Romeiro – traz
o