Formação da classe operária inglesa
2955 palavras
12 páginas
A Formação da Classe Operária Inglesa ─ E. P. Thompson, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 3 vols., tradução de Denise Bottman. O livro de E. P. Thompson que, finalmente, aparece completo com a edição da terceira parte (terceiro volume na edição da Paz e Terra), no Brasil, tem uma ótima qualidade editorial e uma excelente tradução que, diga-se de passagem, certamente constituiu uma tarefa árdua, considerando o tom narrativo do texto e o tipo de material empírico da pesquisa; depoimentos oficiais, registros de jornais, panfletos, cartas e literatura popular no período entre 1790 e 1832 na Inglaterra. A Formação da Classe Operária Inglesa constitui, hoje, após vinte e cinco anos de sua publicação, um clássico da historiografia de movimentos sociais das classes trabalhadoras e, sem dúvida alguma, o mais importante intento, na tradição marxista, de reconstituição de um momento histórico decisivo dá transição da sociedade inglesa para o capitalismo industrial na ótica dos estratos inferiores dessa sociedade. O autor toma como foco central para seu estudo o contexto de vida dos trabalhadores, suas inquietações, aspirações, ritos e símbolos coletivos, em um ambiente hostil ao reconhecimento às suas identidades sociais e culturais fundadas na tradição comunal da sociedade inglesa daquele período. A familiaridade intelectual e envolvimento emocional de E. P. Thompson com o contexto social e cultural dos protagonistas do seu estudo possibilitam uma narrativa expressiva do contexto da época, mais próxima à arte e à literatura do que à descrição fria e árida do discurso acadêmico. Essa característica da obra a coloca na tradição dos clássicos que, como Toqueville e Trotsky, conseguem, em sua historiografia, dar vida e sentimento aos atores sociais, através do olhar astuto dos microprocessos sociais que compõem o quadro descritivo dos seus cenários históricos. O texto de Thompson é historicamente significativo na medida em que emerge num cenário